A forma tradicional de abastecer seu carro está com os dias contados

O futuro já não parece rentável para o petróleo e a prova disso é o resultado de um novo relatório que afirma que a mercadoria teria que custar entre US$ 10 e US$ 20 por barril para permanecer competitiva como combustível de transporte.

 

De acordo com a pesquisa, idealizada pelo BNP Paribas, o setor de energia renovável torna impossível para o petróleo competir a preços atuais. O autor do relatório, chefe global de sustentabilidade da organização, Mark Lewis, diz que “a eletricidade renovável tem um custo marginal de zero a curto prazo, é a mais limpa do meio ambiente, muito mais fácil de transportar e pode substituir prontamente até 40% da demanda global de petróleo”.

 

A indústria do petróleo enfrenta uma ruptura na mesma escala que atingiu o setor europeu de serviços públicos na última década, acrescenta ele.

 

O relatório Wells, Wires, And Wheels… Eroci And The Tough Road Ahead For Oil introduz o conceito de retorno sobre o capital investido em energia (EROCI), concentrando-se no retorno energético de uma despesa de US$ 100 bilhões em petróleo e fontes renováveis, onde a energia elétrica está sendo usada para abastecer carros e outros veículos leves.

 

Para uma determinada despesa de capital em petróleo e energias renováveis, quanta energia útil temos ao volante? Nossa análise indica que, para o mesmo investimento de capital atual, novos projetos de energia eólica e solar em conjunto com veículos elétricos a bateria produzirão de seis a sete vezes mais energia útil nas rodas do que o petróleo a US$ 60 por barril para veículos leves movidos a gasolina e três a quatro vezes mais do que o petróleo a US$ 60 por barril para veículos leves movidos a diesel”, diz Lewis.

 

Lewis também afirma que se fôssemos construir do zero sistema global de energia hoje, apenas a economia ditaria que, no mínimo, a infraestrutura de transporte rodoviário fosse construída em torno dos VEs – abastecidos por eletricidade gerada por energia eólica e solar.

 

O relatório conclui que, basicamente, já não é mais rentável vender e produzir combustíveis de origens fósseis tendo em vista os custos para compra da matéria prima (o petróleo) e as questões limitantes nas transações financeiras entre países e culturas diferentes. Além, claro, do impacto (de certa forma) irreversível que a queima destes combustíveis provoca na atmosfera terrestre, agravando ainda mais os cenários catastróficos que o aquecimento global prevê

 

Mais de um terço (36%) do petróleo produzido hoje é destinado a abastecer veículos suscetíveis à eletrificação e outros 5% para gerar energia. Isso significa que “a indústria do petróleo nunca antes enfrentou o tipo de ameaça que a eletricidade renovável em conjunto com os veículos elétricos representa para o seu modelo de negócios” afirma Lewis.

 

Entre os fatos apresentados pelo relatório do BNP Paribas, evidencia-se que a economia do petróleo para veículos à combustão versus elétricos movidos à energia eólica e solar está agora em declínio implacável e irreversível, com implicações de longo alcance para os formuladores de políticas e as empresas petrolíferas.

 

Atualmente, a indústria petrolífera tem uma enorme vantagem na produção de combustível e energia: 33% da energia global vem de petróleo, em comparação com 3% para as energias renováveis ​​- mas essa vantagem é limitada a um tempo de cerca de 15 a 20 anos, porque todos os anos, o setor precisa investir em novos projetos para substituir a produção perdida e os poços empobrecidos. Porém, devido ao tempo necessário para o desenvolvimento de novos poços, quando as instalações aprovadas hoje entrarem em operação, “uma parcela crescente de sua produção estará sujeita à concorrência feroz de uma fonte de combustível mais barata e limpa”.

 

Para atender aos níveis de demanda de energia em 2018, a indústria petrolífera teria que gastar US$ 25 trilhões por ano pelos próximos 25 anos, enquanto que produzir um nível equivalente de energia a partir de fontes renováveis ​​custaria US$ 4,6 – US$ 5,2 trilhões, aponta o relatório.

 

Dentre as vantagens da utilização de energia elétrica como fonte de combustível rodoviário, destacam-se:

 

  1. os benefícios ambientais em termos de mudança climática e ar mais limpo;
  2. os benefícios de saúde pública provenientes do ar estar mais limpo;
  3. o fato de que a eletricidade é muito mais fácil de ‘transportar’ do que o petróleo;
  4. a estabilidade de preços muito maior da eletricidade gerada por energia eólica e solar em comparação com o preço e a volatilidade do petróleo.

 

Em suma, o relatório conclui: “na forma de gasolina ou diesel, os dias do petróleo como combustível para os veículos leves de carga estão praticamente contados, porque a economia de novos projetos eólicos e solares combinados com os veículos elétricos deve se tornar economicamente irresistível”.

 

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