Qual é a diferença entre carregar um carro elétrico na tomada ou num eletroposto?

Carros elétricos e híbridos são relativamente novos no mercado e o fato de usarem eletricidade como “combustível” significa que uma nova infraestrutura foi implantada, e que que poucos ainda conhecem. 

É por isso que criamos este artigo, para explicar e esclarecer as soluções de carregamento disponíveis para carregar um carro elétrico. Neste guia, você aprenderá mais sobre os locais onde é possível carregar um veículo elétrico, as diferenças e vantagens entre cada um deles. 

 

Entendendo a mecânica

Antes de mais nada, precisamos começar pelo básico e falar sobre eletricidade; e como ela chega, de fato, no automóvel. Todas as baterias de veículos elétricos são feitas para receber carga de corrente contínua (CC), mas o que acontece é que os veículos elétricos disponíveis no mercado possuem diferentes formas de serem carregados – isso geralmente varia de acordo com o fabricante.

A forma mais comum é a carga lenta, que leva, geralmente, em torno de 6 a 8 horas para completar um ciclo. Porém, alguns modelos já são preparados para receber a carga rápida, que carrega até 80% da capacidade da bateria em espaços mais curtos de tempo (de acordo com o carregador e fabricante), variando entre 30 minutos e uma hora.

A carga lenta nada mais é do que a corrente que sai das tomadas convencionais, ou seja, a corrente alternada (CA). Que tem picos de potência que podem variar, entregando mais ou menos energia.

Já a carga rápida significa uma entrega maior de energia na bateria do veículo, por meio de uma corrente contínua (CC), que como a própria definição diz, entrega uma corrente com potência frequente, muito maior do que a corrente alternada e, por isso, pode carregar o veículo em muito menos tempo. 

E isso só pode acontecer se o usuário plugar seu veículo em um eletroposto ou carregador que disponibilize de carregamento rápido, além de que o veículo deve estar apto a esse tipo de tecnologia, visto que não são todos os fabricantes que entregam produtos compatíveis com essa funcionalidade.

Porém, nem tudo são flores. Ao receber uma carga rápida, que vem por uma corrente contínua (CC) a bateria do veículo passa por um certo “estresse”, pois é uma potência muito alta chegando. Fazer isso algumas vezes por mês ou quando o usuário está com pressa, não representa grandes problemas para o veículo. Mas, a utilização frequente da carga rápida pode causar em longo prazo o desgaste da bateria, ocasionando na diminuição da sua performance e vida útil.

 

Contexto regional

Assim como a própria oferta de veículos elétricos ainda é baixa e caminha a passos lentos, a disponibilidade de eletropostos anda na mesma velocidade. Fora do Brasil, em países europeus e asiáticos, por exemplo, o espaço para estacionar é muito escasso e altamente competido, pois as pessoas não têm onde guardar seus carros. 

O que, na maioria dos casos, acaba obrigando o governo a prover desses postos de carregamento. E, geralmente, as bases ficam nas ruas e a energia para o carregamento é subsidiada pelo próprio Estado. Como a disponibilidade de vagas é pequena, assim como as casas e apartamentos, essa é única solução nos grandes centros urbanos. 

Já aqui no Brasil, a banda toca de uma forma um pouco diferente: dispomos de muito espaço em nossas casas, além disso, é muito comum que os prédios possuam garagens e as empresas igualmente têm garagens para abrigar os veículos dos seus colaboradores. O mercado funciona de uma maneira bastante diferente do que lá fora. 

Por isso, a maioria dos veículos disponíveis no nosso mercado não estão aptos ao carregamento rápido, pois nós possuímos garagem em casa ou no trabalho para carregá-los e também porque diferente do que acontece em outros países, aqui a energia fornecida aos eletropostos é, geralmente, subsidiada pela iniciativa privada. Como é o caso de postos de combustível, supermercados e shopping centers.

Outro fator que propicia o desenvolvimento e oferta de veículos com carregamento lento aqui no Brasil, é a possibilidade de carregar o veículo à noite, quando geralmente ele não está sendo utilizado e o valor da energia elétrica é mais barato.

Por fim, a oferta de postos de carregamento no Brasil ainda é baixa se comparada à extensão do país e o tamanho das cidades. Pouca oferta, e infraestrutura ainda defasada fazem da opção de carregamento rápido uma escolha pouco sábia.

 

Conclusão

Aliado à baixa disponibilidade de postos de carregamento e ao fato de que utilizar apenas a carga rápida pode ser prejudicial, usufruir do carregamento lento é a melhor estratégia para aproveitar ao máximo a performance do veículo e prolongar a vida útil da bateria.